sexta-feira, 30 de maio de 2008

Tributo ao Angra


A banda baiana TemplariuS fará amanhã (sábado, dia 31), no Café Teatro Sitorne (Rio Vermelho), às 19:00h, um show para homenagear um dos mais bem-sucedidos grupos do Heavy Metal nacional, o Angra. A apresentação, com duração aproximada de duas horas, percorrerá toda a discografia do quinteto paulistano em seus mais de 15 anos de carreira. Para tentar reproduzir fielmente toda a excelência instrumental do Angra, a TemplariuS contará com a participação do ex-guitarrista do Drearylands, Páris Menescal, e de músicos de outras bandas soterapolitanas, como a Andirá e a Dryad.

Os ingressos para o evento custam R$10 e estão à venda no Andarilho Urbano e no PhnX Atelier. A censura é de 16 anos. Para mais informações, ligar para (71) 8816-5696.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

He Brings You Rock N' Roll

Conforme noticiou o site Classic Rock, Lemmy Kilmister, vocalista e baixista do Motörhead e uma das maiores lendas vivas do metal, finalmente receberá uma homenagem à altura da sua importância e contribuição para a música: trata-se do documentário “Lemmy”, previsto para sair ano que vem. A película, que retratará a vida e a obra do Highlander do metal, terá depoimentos de astros do rock, como Alice Cooper, Dave Grohl, Steve Vai, Slash e Ozzy Osbourne.


Ian “Lemmy” Kilmister
, 62, já está há mais de três décadas à frente do Motörhead, uma das bandas mais barulhentas do mundo. Viciado em anfetaminas – daí o nome da banda que é, na verdade, uma gíria estadunidense para designar viciados em anfetaminas –, em Jack Daniel’s e em cigarros, Lemmy, ao contrário do que poderiam prever a lógica e a medicina, até hoje mantém a forma e paixão pela música, lançando, em média, quase que um álbum por ano e sendo reverenciado como uma verdadeira instituição do rock.

Para atingir tal patamar de respeitabilidade, não foi necessário “apenas” compor uma miríade de clássicos e se diferenciar com sua voz grave e roufenha e com seu baixo Rickenbacker tão distorcido que mais parece uma guitarra. Lemmy, que já foi até roadie de Jimi Hendrix, é, antes de tudo, um ferrenho defensor e entusiasta do rock n' roll. Vira e mexe, ele externa, sem medo de parece anacrônico ou ridículo, todo o seu amor por esse gênero musical. É o que fica demonstrado nestas declarações concedidas ao site Stuff em Outubro do ano passado.


“Alguém disse para mim recentemente que eu devia me aposentar e deixar espaço livre para os mais jovens: Que se foda! Eu não tenho visto ninguém melhor do que eu, então porque devo parar? As pessoas acham que Rock N’ Roll é só sobre rebelião adolescente, mas por que não podem existir velhos rebeldes também?

“Se as pessoas acham a visão de um cara mais velho tocando Rock N’ Roll irritante para os seus olhos, eles podem simplesmente não assistir. Algumas pessoas ficam melhores quando envelhecem, se eles realmente se importam com o que fazem, como eu. Certamente, eu nunca fiz isso pelo dinheiro, porque nós nunca vendemos muitos álbuns. Existem várias porcarias de bandas milionárias, mas não a gente”.

"Algumas pessoas às vezes afirmam que o Rock N’ Roll está morto, mas ele nunca vai morrer, porque é sempre empolgante ouvir uma música decente de Rock N’ Roll. Veja o AC/DC, cara. Eles ainda são bons para caralho, do mesmo jeito que eram quando eles começaram, há anos atrás. ZZ Top é outro. Eles continuam compondo grandes riffs. Existe uma coisa em um bom riff de guitarra que mexe tanto com seu corpo quanto com sua alma. Ele fala com algo profundo em você. Ele entra em você. Isso nunca vai mudar"

Certamente, o que nunca mudará é a admiração e o respeito que a grande maioria dos headbangers tem por Lemmy Kilmister, e este documentário, com seu incalculável valor histórico, só reforçará essa posição. Afinal, a história de Lemmy, a mais fiel personificação do metal, se confunde com a própria história do rock. Há, nessa relação, uma dependência recíproca.

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Abaixo, segue o vídeo, disponibilizado no site LemmyMovie, com trechos do documentário.



terça-feira, 27 de maio de 2008

Iron Maiden no Brasil - A matéria do Fantástico

O Iron Maiden esteve no Brasil no início de Março para fazer shows referentes à Somewhere Back in Time World Tour em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Como a passagem do sexteto inglês - sexteto, viu Sérgio Martins? - causou bastante rebuliço - todos os shows foram sold out -, a grande mídia não poderia fazer de conta que o Heavy Metal não existe, como costuma fazer. Quer dizer, das grandes redes de televisão, só a Globo e a Record produziram reportagens sobre a passagem da banda. A sucursal da Record em Porto Alegre produziu uma matéria para exibição em um telejornal local. Já a Globo produziu duas, ambas de alcance nacional: uma veiculada no Jornal da Globo e a outra no Fantástico. Analisemos esta última, a cargo do jornalista Álvaro Pereira Júnior.


Primeiro, o vídeo:






Agora, o primeiro equívoco da matéria.

"O mundo do rock se divide em dois. Um deles gira a toda velocidade, novidades surgem a cada segundo, está em renovação constante. Mas o outro mundo do rock está parado e é nesse mundo em que nada muda que reina absoluta uma banda inglesa de metal pesado: Iron Maiden"

É assim que, de forma bastante infeliz, Álvaro Pereira Júnior - pupilo de Sérgio Martins? - começa a sua reportagem. Bem, dizer que o heavy metal é um gênero musical estático e imutável só revela o despreparo, o desconhecimento e, principalmente, a preguiça do jornalista. O Heavy Metal é, possivelmente, uma das vertentes do rock que mais evoluiu desde o seu surgimento. Prova disso são as suas inúmeras segmentações - doom metal, thrash metal, metal neoclássico, metal tradicional, metal melódico, metal progressivo etc - que, apesar de terem uma essência em comum, apresentam características próprias. Além disso, os músicos de Heavy Metal estão, sem dúvida alguma, entre os mais inquietos do mundo do rock. Grande parte deles está sempre se aperfeiçoando e buscando novas influências para a sua música. O rock pesado já se fundiu ao jazz, à world music, à música clássica, a ritmos regionais brasileiros, a ritmos indígenas, ao hardcore, ao punk, ao progressivo e outros. Ou seja, é justamente o contrário do que afirma Álvaro Pereira Júnior.

Para completar, o jornalista ainda confronta o Heavy metal com um outro mundo do rock - segundo a reportagem, esse seria o mundo dinâmico e inovador - formado por bandas como Arctic Monkeys, Oasis e The Libertines. Ora, quem já escutou o som praticado por esses grupos sabe que até hoje eles não conseguiram expandir seus horizontes musicais para além de um rock básico e direto. Essas bandas é que são mais do mesmo. São, em termos musicais, muito mais conservadoras e antiquadas do que a maioria - claro que há exceções, vide o Motörhead - das bandas de Heavy Metal.

Por último, o segundo equívoco que, na verdade, é uma repetição localizada do primeiro.

"Muitos músicos entraram e saíram, mas o som [do Iron Maiden] não mudou : 100% metal."

Não é possível que uma pessoa, em sã consciência e que tenha uma discoteca minimamente considerável, não seja capaz de perceber diferenças ululantes entre álbuns como Iron Maiden (1980) e A Matter of Life And Death (2006) ou entre Powerslave (1985) e The X-Factor (1995). É realmente mais fácil homogeneizar, generalizar, estereotipar do que analisar as diferentes fases pelas quais a banda passou. Requer menos esforço e facilita a compreensão da reportagem. Aliás, será que antes de falar que o som do Maiden permaneceu parado no tempo - uma baboseira colossal -, o jornalista se deu ao trabalho de ouvir pelo menos dois álbuns do sexteto inglês?

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OBS: Há pouco tempo, a Globo transmitiu os shows do Rolling Stones, do U2 e do The Police quando essas bandas aqui estiveram. E por qual razão não transmitiu o show do Maiden em São Paulo se, como ficou comprovado ao final da matéria supracitada, filmou a apresentação?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Helloween - Keeper Of The Seven Keys 1


Sem conseguir obter êxito nos papéis de vocalista e guitarrista do Helloween, Kai Hansen passa a se dedicar apenas à segunda função. Para o posto de vocalista é recrutado o jovem – com apenas 18 anos na época – Michael Kiske, peça que se mostraria fundamental no processo de reconstrução da banda. É a partir daí que a abóbora alemã começa a alçar vôos mais altos rumo ao estrelato mundial. É com o Keeper of The Seven Keys Part I (1987) que o Helloween abandona o irregular Thrash Metal Melódico do primeiro CD - Walls of Jericho (1985) - e inicia o desenvolvimento do que mais tarde seria alcunhado de Heavy Metal Melódico.

Se alguém me pedisse para definir esse álbum com uma só palavra, esta seria clássico. Muito clássico. Músicas extremamente sinceras, cheias de feeling, pegada e o que considero mais de meio caminho andado para se compor uma boa canção: riffs sensacionais. Tudo isso sem contar as letras, um dos maiores diferenciais do grupo na época. Quando o cenário metálico era dominado pela rabugice e pelo mau humor das bandas de Thrash, o Helloween surge como uma banda divertidíssima, alegre e até pueril, infantil. Suas letras, além de serem verdadeiros convites à felicidade e de serem mais eficientes que qualquer livro de auto-ajuda – para que ler Augusto Cury se Kai Hansen, principal compositor da primeira parte de Keeper of The Seven Keys, é bem mais poético e menos pretensioso? –, criam uma identificação imediata com os ouvintes mais sensíveis ao dialogar naturalmente com as melodias marcantes e cantáveis, marca registrada do quinteto.

Initiation é a breve introdução – quantas bandas de Metal Melódico começaram seus discos com introduções instrumentais? – que prepara o ouvinte para a sucessão de clássicos. A up-tempo I’m Alive abre o petardo com seu refrão deveras simples e contagiante e com os agradáveis solos melódicos, deixando claro que os alemães beberam bastante em fontes maidenianas, principalmente no que se refere à presença constante das twin guitars e dos vocais altos e cristalinos.

Segue-se A Little Time, a primeira contribuição de Kiske para a banda e a única nesse disco. Música bem direta, sem grandes variações e que tem na melodia vocal o seu diferencial criativo. Particularmente, prefiro a versão dessa canção no Live In The Uk (outro CD obrigatório), muito mais pesada e encorpada em termos guitarrísticos e sem os hiatos instrumentais da versão original.

Com Twilight of the Gods, começam a aparecer os ótimos riffs. Além deles, um dos grandes méritos dessa faixa é a soberba performance do tenor Michal Kiske, dono de um alcance altamente invejável e de uma tremenda facilidade em atingir notas altíssimas sem soar repetitivo, como acontece com muitos vocalistas (o James Labrie do Dream Theater em Images and Words, por exemplo) que acham que cantar em agudos o tempo inteiro é sinônimo de virtuosismo. Outro ponto bastante positivo dessa canção é a fantástica melodia vocal do bridge, que, além de ser bem melhor do que o cadenciado refrão, é a principal responsável pela excelência da música.

Como quase todo bom álbum de melódico que se preze, o primeiro Keeper também tem a sua belíssima balada. É A Tale That Wasn’t Right, cuja letra um tanto quanto depressiva e melancólica destoa do restante do álbum. Destaque mais uma vez para Kiske, que, como qualquer vocalista de alto nível, não apenas canta, mas também interpreta, conferindo maior densidade e dramaticidade à faixa. Sem pieguice, claro.

A seguir vem o melhor riff com o espetacular hit Future world, canção que deve obrigatoriamente constar em qualquer lista respeitável de melhores músicas de metal de todos os tempos. Sua letra, que flerta com a utopia socialista e, mais precisamente, com a obra-prima A Utopia de Thomas Morus, projeta um mundo futurístico em que o amor, a fraternidade e a solidariedade são os sustentáculos da sociedade. Em termos musicais, o destaque é, de novo, Kiske. Ouça e você perceberá que qualquer elogio é não só insuficiente, mas também incapaz de descrever o brilhantismo da sua performance.

Na épica e apoteótica Halloween, que dura mais de treze minutos, fica explícito o perfeito entrosamento entre os guitarristas Michael Weikath e Kai Hansen. Solos inspirados, duetos embasbacantes, arranjos de uma criatividade ímpar e variações climáticas impensáveis. Halloween tem tudo isso e mais um pouco. Tem o falecido Ingo Schwichtenberg em uma verdadeira aula de como aplicar a técnica e o virtuosismo em favor da música e não como trampolim para exibicionismos individuais. Ele, que sempre criou linhas de bateria pulsantes e ousadas, deveria servir de exemplo a tantos outros bateristas de metal melódico que têm contribuído enormemente para a banalização do bumbo duplo e do próprio estilo, cada vez mais preso a clichês e a fórmulas saturadas. Outro que se distancia (ou se distanciava) da geração de músicos robotizados do melódico é o baixista Markus Grosskopf. Não contente em ser apenas um coadjuvante, ele concebe linhas de baixo assaz inovadoras e forma, junto com o baterista supracitado, uma cozinha indefectível. Como é prazeroso escutar uma música que, mesmo sendo tão longa para os padrões radiofônicos, não soa burocrática em momento algum.

Com a primeira parte dos Keepers, o Helloween começou a moldar um estilo que, posteriormente, viria a perder a sua áurea e a sua essência não só por conta da incorporação da mecanização e da rabugice impostas pelas demandas mercadológicas – vide o The Dark Ride (2000), do próprio Helloween – , mas também em função das inúmeras cópias e imitações que surgiram com o passar dos anos. Se você quiser ouvir e apreciar um Heavy Metal Melódico autêntico, genuíno e sincero, é altamente recomendável começar pelas duas primeiras partes dos Keepers. Inevitavelmente, tudo que veio depois, em termos de Metal Melódico, foi incomensuravelmente influenciado por estas duas obras-primas.

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Curiosidades


Michael Kiske foi escolhido para ser o vocalista da banda depois de interpretar a música Queen Of The Reich, do Queensrÿche.

O primeiro Keeper vendeu cerca de 500.000 cópias até hoje.

Quase todas as canções do Keeper 1 são creditadas a Kai Hansen. O outro principal compositor da banda, o guitarrista Michael Weikath, estava com problemas psicológicos na época e não gravou sequer as bases – todas a cargo de Hansen –, participando apenas dos solos.

Keeper of the Seven Keys 1 tem duas versões. A mais simples e mais antiga tem um encarte pobre e conta com faixa Judas, originalmente gravada em Walls Of Jericho, mesmo que não haja nenhuma menção à existência dessa música no encarte. A outra versão é mais completa, batizada de Expanded Edition. Esta, além de possuir um encarte mais recheado com várias fotos da época e capas de singles, tem quatro faixas adicionais, entre elas as regravações com a voz de Kiske de Starlight e Victim Of Fate, ambas do álbum de estréia.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Cobertura do Show - André Matos

Review originalmente publicado em www.bahiarock.com.br

André Matos dispensa apresentações. Uma das maiores vozes do metal nacional e internacional, ele, agora em carreira solo, continua mostrando toda a versatilidade e a ousadia que o consagraram. Suas passagens pelo Viper, pelo Shaman e, principalmente, pelo Angra, elevaram o heavy metal nacional a novos patamares ao fundir o estilo com a música clássica e com ritmos regionais brasileiros. Foi esse artista multifacetado, inquieto e inovador que os headbangers soterapolitanos tiveram a oportunidade de conferir no domingo, dia 27 de Abril, na Concha Acústica.

O show, que estava marcado para começar às 17h, atrasou, e a primeira banda de abertura, a baiana Nomin, só entrou em cena por volta das 18h. O grupo, que faz um som mais calcado no hard rock com claras influências de Bon Jovi e Whitesnake, conquistou a platéia com um repertório empolgante que, entre outras canções, incluiu a bela balada Deep Inside My Heart do EP Secret Dreams e ótimos e eficientes covers da clássica Burn do Deep Purple, da dançante Jump do Van Halen e do hit Living on a prayer de Bon Jovi. Tecnicamente, a banda é bastante coesa, com claro destaque para os solos e bases precisos do guitarrista Hugo. Já o vocalista Lucas pecou por uma performance um tanto quanto exagerada e repleta de agudos desnecessários – cantar bem não é sinônimo de soltar agudos estridentes a cada segundo –, o que, no entanto, não chegou a comprometer a atuação do quinteto.

A outra banda baiana encarregada de abrir o evento, a novata Face on Fact, noves fora buracos e erros gritantes em alguns covers clássicos, fez uma apresentação correta, mas que demorou mais que o necessário, deixando a audiência, principalmente aqueles que desde o início da tarde já se aglomeravam em frente aos portões da Concha, bastante impaciente. O grupo toca um Thrash Metal genérico, com uma grande quantidade de solos e riffs saturados e previsíveis. Desta forma, o ponto alto da perfomance, como não poderia deixar de ser, foram os covers de Peace Sells do Megadeth, Creeping Death do Metallica, Sole Survivor do Helloween e Caught Somewhere in time do Iron Maiden. Esses dois últimos covers, em particular, foram executados com um peso além do recomendável para músicas cujas principais características são as melodias marcantes e cantáveis. Individualmente, quem se destacou positivamente foi o vocalista, que cantou os covers e as composições próprias da banda – Kill By the Butcher, Abduction e Black and White - com muita segurança, originalidade e competência.

Quando os ponteiros já se aproximavam das sete e meia da noite, eis que, enfim, o carro-chefe da noite entra em cena para delírio do ansioso e sedento público. André Matos (vocal e piano), Hugo Mariutti (guitarra), André Hernandes (guitarra), Eloy Casagrande (bateria), Luis Mariutti (baixo) e Fábio Ribeiro (teclado) já sobem ao palco com o jogo ganho, tamanha é a qualidade das músicas que seriam executadas em uma noite que se mostrou inesquecível.De cara, ouve-se a faixa introdutória de Time To Be Free, a bela Menuett – uma valsa de Strauss –, escolha perfeita para aumentar ainda mais a expectativa e a ansiedade da platéia que, a esta altura, já estava em estado contemplativo, absolutamente hipnotizada. Em seguida, vem a apoteótica e pujante Letting Go, o mais novo hino do metal melódico nacional. Arrisco a dizer que, em função da recepção calorosa dos fãs e das evidentes semelhanças com a fase Angels Cry do Angra, essa música se tornará presença obrigatória em todos os shows que André Matos fizer daqui para frente. Distant Thunder, música do primeiro álbum do Shaman, o ótimo Ritual, foi a próxima a ser executada e cantada em uníssono, aumentando ainda mais o êxtase dos presentes e deixando claro que, caso continuasse, o Shaman ainda poderia dar bons frutos ao heavy metal nacional.

Ao fim da terceira canção, André cumprimenta a platéia e diz que a presença dos headbangers ali seria uma prova de que, ao contrário do que é alardeado pela mídia, também há espaço para o rock e o metal em terras baianas. Contudo, depois que se soube que apenas cerca de 1200 pessoas compareceram ao show – um público vergonhoso se considerarmos o cacife da atração – ficou claramente demonstrado que o cenário metálico em Salvador ainda se encontra em fase de gestação.

Depois desse breve ínterim, em que André também teceu comentários a respeito de um vindouro DVD que conterá imagens da apresentação em Salvador, os fãs foram agraciados com a agressiva e pesada Rio, outra boa música de Time to Be Free. Here I Am, uma das melhores composições do Shaman, veio a seguir e teve seu contagiante refrão cantado a plenos pulmões. Mais uma breve pausa. Agora, André pede desculpas pelo atraso aos que estiveram presente na desorganizada e mal planejada sessão de autógrafos do dia anterior na Saraiva do Shopping Salvador. Mea culpa à parte, o show prossegue com a clássica e comovente Living for the Night, uma das canções de maior sucesso do Viper e cujo início foi cantado apenas pelo público, deixando André Matos um tanto quanto surpreso e emocionado. Em seguida, é a vez do primeiro solo da noite. André Hernandes, que se mostrou bastante simpático durante toda a apresentação, sempre agradecendo o público, fez um solo bastante técnico e curto, sem soar cansativo em nenhum momento, o que, no entanto, não muda a minha visão de que solos são quase sempre desnecessários e servem, antes de tudo, para massagear o ego dos músicos.A banda retorna ao palco para executar Crazy Me?, música do Virgo, projeto de André e Sascha Paeth, um dos produtores de Time to Be Free. Essa música teve uma recepção bastante fria por parte da platéia, que demonstrou não conhecê-la. Mas, inteligentemente, o grupo retoma o domínio sobre o público com a mais do que clássica Nothing To Say, música de abertura do Holy Land, álbum que o próprio André Matos considera como o melhor do Angra. Em sequência, a banda esfria os presentes com duas baladas: Fairy Tale – o maior sucesso comercial do Shaman – e a comovente Lisbon, cujo refrão foi cantado por toda Concha Acústica. Mais uma breve pausa e é hora do segundo solo da noite, agora do jovem baterista Eloy Casagrande. Ele, que com apenas 17 anos fez um show indefectível, apresentou um solo pouco inovador, bem parecido com aquele executado por Aquiles Priester no disco Live in São Paulo, do Angra. Falta de criatividade à parte, o garoto tocou seu instrumento com uma fúria e um punch bem destacáveis.

Depois de uma pequena pausa, o sexteto retorna tocando Wings of Reality, faixa que abre o disco Fireworks do Angra. Mais uma vez, a resposta do pequeno público foi mais do que satisfatória. How Long (Unleashed Away), música que só se salva pelo empolgante refrão, foi prejudicada pelas constantes falhas no microfone de André, cuja voz desapareceu por vários momentos. Para loucura dos fãs, sai dos altos falantes a orquestração de Unfinished Allegro, anunciando a obrigatória Carry On, que, desde o início, já era pedida pelos mais pentelhos e apressados. Nem é preciso dizer que essa foi a música que causou maior empolgação no público.

Para finalizar, Endeavour, a música que fecha Time to be Free, é tocada. Como todos já estavam cansados e como essa canção foi uma péssima escolha para terminar a apresentação, não houve tanta comoção.

Emocionante, sim, foi o que veio depois: todos os integrantes saíram aos poucos até ficar apenas André Matos no teclado. Bela sacada para concluir o show de um dos maiores vocalistas que o mundo já ouviu. Como diria o velho e sábio ditado popular: Quem sabe faz ao vivo. E Andre executou fielmente aquilo que gravou em estúdio. Sua voz estava lá como sempre intocável e inabalável.

De uma qualidade desconcertante.

domingo, 18 de maio de 2008

Blaze Bayley : o homem que nunca morrerá


Blaze Bayley, o contestado ex-vocalista do Wolfsbane e do Iron Maiden, banda com a qual gravou os álbuns The X Factor (1995) e Virtual XI (1998), anunciou recentemente o lançamento do quarto disco de inéditas da sua bem-sucedida carreira solo. The Man Who Would Not Die, que tem lançamento previsto para sete de Julho, é mais uma tentativa de se desvincular da sua malfadada passagem - não por sua culpa, diga-se de passagem - pela Donzela de Ferro e de se firmar como bom vocalista e compositor que é. Da crítica, ele já recebeu amplos elogios por álbuns como Silicon Messiah (2000) e Tenth Dimension (2002). Agora, só falta o público headbanger reconhecer, em peso, Blaze como um dos principais expoentes do metal tradicional inglês na atualidade.

As músicas de The Man Who Would Not Die são as seguintes:

01. The Man Who Would Not Die (ouça-a aqui)
02. Blackmailer
03. Smile Back At Death
04. While You Were Gone
05. Samurai
06. A Crack In The System
07. Robot
08. At The End Of The Day
09. Waiting For My Life To Begin
10. Voices From The Past
11. The Truth Is One
12. Serpent Hearted Men

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Além do novo disco, Blaze confirmou também uma longa turnê pelo Brasil no segundo semestre para divulgar The Man Who Would Not Die e o DVD Live In Poland.

As doze datas seguem abaixo:


Data: 14/08 (quinta-feira) - Belo Horizonte/MG
Local: Ainda não definido.

Data: 15/08 (sexta-feira) - Palmas/TO
Local: Tendencies Music Bar

Data: 16/08 (sábado) - Belém/PA
Local: Metrópole City Hall

Data: 17/08 (domingo) - Manaus/AM
Local: Ainda não definido.

Data: 21/08 (quinta-feira) - Campinas/SP
Local: Hammer Rock Bar

Data: 22/08 (sexta-feira) - Curitiba/PR
Local: Curitiba Master Hall

Data: 23/08 (sábado) - Pomerode/SC
Local: Clube Pomerode

Data: 24/08 (domingo) - Londrina/PR
Local: Joy Club

Data: 28/08 (quinta-feira) - Recife/PE
Local: Ainda não definido.

Data: 29/08 (sexta-feira) - Fortaleza/CE
Local: Ainda não definido.

Data: 30/08 (sábado) - São Paulo/SP
Local: Manifesto Rock Bar

Data: 31/08 (domingo) - Rio de Janeiro/RJ
Local: Ainda não definido.